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Implante na medula espinhal ajuda pacientes paralisados a andar novamente

A síndrome dolorosa do membro fantasma é uma condição fisiológica que ocorre em cerca de 85% dos pacientes amputados. Trata-se da sensação de dor em uma parte do corpo que foi removida de forma traumática ou congênita. Uma das técnicas mais eficazes para o tratamento da dor é a estimulação medular, sua taxa de eficácia varia de 50 a 70%.

Duas equipes distintas, o Centro de Pesquisa de Lesão Medular da Universidade de Louisville e a Clínica Mayo em Rochester, Minnesota, revelaram na Nature Medicine e no New England Journal of Medicine que o dispositivo, em conjunto com o treinamento físico, possibilitou que pacientes com lesão completa na medula espinhal pudessem recuperar movimentos voluntários.

O dispositivo que consiste de dois componentes, um neuroestimulador e uma placa de um conjunto revestido com 16 eletrodos, foi inserido abaixo do local da lesão, ativando regiões que captam sinais sensório-motores perdidos emitidos pelo cérebro, os amplificam e os redirecionam para o tecido da medula espinhal. Ele é ligado a uma bateria implantada na parede abdominal, e sua frequência de estimulação, intensidade e duração podem ser ajustados wirelessly. A atividade elétrica produzida pelos músculos das pernas foi monitorada durante as sessões.

A estimulação epidural atua com base no princípio de que ainda existem alguns pequenos sinais do cérebro que atravessam o local da lesão da medula espinhal, porém por si só não são suficientes para gerar movimentos voluntários. A medula espinhal pode sinalizar que os músculos se movem, independentemente dos comandos do cérebro. É como a galinha que continua a correr, mesmo depois de sua cabeça ter sido cortada.

“Sabemos que a medula espinhal tem a capacidade de organizar detalhadamente as atividades motoras”, afirma a Dra. Claudia Angeli coautora de um dos estudos do Centro de Pesquisa de Lesão Medular do Kentucky. “Antes da lesão, a medula recebia comandos do cérebro e informações do ambiente” diz, a lesão interrompe essa comunicação. “A medula espinhal é isolada, potencialmente ainda recebe informações do ambiente, mas perdeu o grande condutor, que é o cérebro”. Claudia ainda acrescentou que o treinamento físico para vincular os movimentos com esses sinais é crucial.

No estudo publicado, Angeli e seus colegas relataram que o dispositivo foi implantado em quatro pessoas paralisadas anos atrás, após sofrerem acidentes de trânsito ou mountain bike. Todas perderam todo o controle motor abaixo do local da lesão, porém duas demonstraram algum nível de sensibilidade. Após a implantação do dispositivo e treinamento locomotor, duas conseguiram andar sobre o solo sem ajuda e todas recuperaram algum movimento.

Kelly Thomas, uma jovem de 23 anos da Flórida que perdeu seus movimentos em um acidente de carro, foi capaz de andar com auxílio de um andador, após 81 sessões de estimulação durante 15 semanas, e disse: “Ser uma participante neste estudo realmente mudou a minha vida, já que me proporcionou uma esperança que eu não achei que fosse possível após meu acidente de carro”. Jeff Marquis, de 35 anos, que perdeu seus movimentos em uma excursão de moutain bike, também andou pouco mais de 90 metros sem interrupção após 278 sessões ao longo de 85 semanas. Agora ele pode realizar suas atividades de forma independente, uma vez que precisava de um ajudante para tirá-lo de sua cama todas as manhãs, “Eu posso fazer isso sozinho agora” afirma Jeff. As outras duas pessoas conseguiram ficar de pé e sentar-se independentemente, uma delas foi capaz de caminhar alguns passos na esteira com um apoio como reforço.

A equipe da Clínica Mayo liderada pelo neurocirurgião Dr. Kendall Lee, obteve resultados semelhantes utilizando o mesmo procedimento. Segundo o estudo publicado, Jered Chinnock de 29 anos, que teve sua medula espinhal cortada e ficou paralisado após um acidente de snowmobile, pode andar novamente com auxílio para manter o equilíbrio, após 43 semanas de tratamento.

“A própria mente do paciente, ou pensamento, foi capaz de conduzir o movimento das pernas”, disse o Dr. Kendall Lee ressaltando que muito do mecanismo ainda permanece desconhecido. “Você precisa fornecer um tipo muito específico de parâmetros de estimulação. Uma estimulação aleatória não funciona”. Programar o aparelho para dar melhores resultados leva tempo e para atingir um bom equilíbrio, é necessário sintonizar corretamente a intensidade da estimulação e embora o dispositivo recupere os movimentos voluntários ele não restaura a sensação dos órgãos removidos.

“Nossos resultados, combinados com evidências anteriores, enfatizam a necessidade de reavaliar nossa compreensão atual da lesão da medula espinhal, a fim de perceber o potencial de tecnologias emergentes para a recuperação funcional, uma vez que pensava-se ser permanentemente perdida”, disse Lee.

Segundo Angeli, há esperanças de que a abordagem possa ajudar com mais do que o movimento das pernas. Angeli também afirma que o próximo passo é analisar as possibilidades de realizar esta estimulação epidural na bexiga, assim melhorando seu controle”.

Já Mike Milner, CEO da Nicholls Spinal Injury Foundation, diz que embora a pesquisa parecesse promissora, a instituição de caridade apoia outro tipo de abordagem para combater lesões na medula espinhal usando células especiais tiradas do nariz do paciente, bem como fibras nervosas, para corrigir a lesão.

“Estamos procurando não apenas uma cura natural ou biológica para a paralisia – mas uma cura permanente”, disse ele.

Fontes: The Guardian, Medical Xpress, Epidural Stimulation, Revista de Medicina e Saúde de Brasília.

               

Adesivo pode aferir pressão arterial

O selo flexível pode realizar leituras que normalmente exigem equipamentos invasivos e volumosos.

Como foi a última vez que você teve a sua pressão arterial checada? Provavelmente, em um consultório médico, com uma braçadeira volumosa em torno do seu braço. Em breve, talvez você só precise de um simples adesivo em seu pescoço, não maior que um selo postal.

Esse é o objetivo de Sheng Xu e sua equipe da University of California, em San Diego. Eles estão trabalhando em um adesivo capaz de aferir a pressão arterial central continuamente – a pressão do sangue que flui pela aorta, a artéria do coração que fornece sangue para todas as diferentes partes do corpo. Isso poderia tornar muito mais fácil a monitoração das condições cardíacas, além de manter em monitoramento outros órgãos vitais, como fígado, pulmões e cérebro.

O adesivo de elastômero de silicone, funciona enviando ondas ultrassônicas que penetram na pele e refletem os tecidos e o sangue do usuário. Essas reflexões são enviadas de volta para o sensor e, em seguida, para um laptop que processa os dados da pressão sanguínea (por enquanto, o adesivo deve estar conectado a um laptop e a uma fonte de energia).

É o primeiro dispositivo wearable conhecido, que pode sentir profundamente abaixo da superfície da pele. Em teoria, o adesivo poderia ser usado em casa para monitorar os pacientes ao longo do tempo. Pelo fato de não estar inserido no corpo, não há risco de infecção.

Um estudo sobre o trabalho de Xu e seus colegas, publicado em setembro de 2018 na Nature Biomedical Engineering, descobriu que o adesivo pode monitorar contínua e precisamente a pressão arterial central quando colocado em diferentes partes do corpo, entretanto, é mais eficaz se aplicado no pescoço. Nesse estudo, eles o compararam a um dispositivo eficiente não invasivo, porém de difícil controle, chamado tonômetro, no qual coloca-se um sensor de pressão na pele. As diferenças entre os resultados dos dois dispositivos foram uma fração do que é considerado um intervalo “aceitável” para erros de dispositivos padrão de pressão arterial.

O adesivo é muito menos invasivo que o atual padrão-ouro para aferir a pressão arterial central, uma vez que este utiliza um cateter com um sensor que é inserido próximo ao coração. Um dos próximos passos dos pesquisadores é testar seu adesivo contra este cateter para avaliar seu funcionamento.

O dispositivo pode fornecer muito mais informações do que se obtém utilizando um aparelho padrão de pressão arterial. Xu acredita que essas informações podem ser úteis para monitorar pacientes com condições como hipertensão ou histórico de ataque cardíaco.

“Você não precisa usar um aparelho de pressão arterial o tempo todo” afirma Xu.

Também aponta que, como o adesivo pode ser colocado próximo a veia jugular, ele pode medir quanto sangue está fluindo para o coração. “Isso pode ser útil para detectar se alguém está desidratado”.

Apesar dos benefícios que o adesivo oferece, nem todos estão convencidos. Mohan Thanikachalam, um cirurgião cardíaco da Tufts University, acredita que um aparelho que monitora a pressão arterial periférica pode ser mais eficiente.”A pressão arterial pode vir a ter mais valor preditivo em termos de resultados no futuro, mas a partir de agora não temos tantos dados” diz ele.

Ainda assim, o adesivo também pode ter utilidade além do corpo. Xu, que foi um dos inovadores com menos de 35 anos da MIT Technology Review’s em 2018, acredita que os adesivos de ultrassom também podem ser úteis para encontrar pequenas rachaduras em peças mecânicas complexas, como as de aviões.

Fonte: Rachel Metz para o MIT Technology Review

               

Setembro amarelo: Tratando a depressão com tecnologia

O Brasil está cada vez mais conectado à internet. Conforme a pesquisa encomendada pela seguradora Bupa ao Instituto Ipsos e à London School of Economics, oito a cada dez pessoas procuram informações sobre sua saúde e o efeito dos remédios na internet, além de condições de outros usuários com doenças semelhantes. Essa tendência pode ser muito prejudicial quando o usuário tem por objetivo fazer uma automedicação, e é claro, ter de enfrentar os efeitos colaterais, podendo trazer consequências ainda maiores que uma simples dor de cabeça ou um embrulho no estômago.

Deprexis

Em contraponto, a preocupação dos usuários com sua própria saúde e a necessidade de ter tudo isso na palma da mão, vem motivando algumas empresas a desenvolver aplicativos e ferramentas para tal acompanhamento. Por exemplo, a Gaia AG, uma empresa alemã que desenvolve a “terapia digital” e que teve seu produto “Deprexis” recentemente liberado pela ANVISA, produziu uma ferramenta médica online, onde o paciente participa de uma terapia cognitiva comportamental, com diálogos individuais por noventa dias.

O “Deprexis” tem como objetivo auxiliar no tratamento contra a depressão, que é atualmente a principal causa de incapacidade em todo o mundo de acordo com a OMS e afeta 4,4% da população mundial. O Brasil é o país com a maior taxa da doença na América Latina e o segundo maior das Américas. São 11,5 milhões de pessoas que sofrem com o problema.

Depressão e suicídio

A depressão pode ser longa e passar sem deixar marcas, mas pode ser recorrente ou com episódios espaçados. A forma mais grave é a persistente, na qual o paciente permanece com resíduos psíquicos, mesmo com a melhora parcial e uso de medicação.

Segundo o Dr Renato Gama, as depressões graves podem estar acompanhadas de alguns sintomas psicóticos, como ouvir vozes, ver pessoas que não existem, sentimento de perseguição e também de que as pessoas conseguem ler seus pensamentos.

“A manifestação mais dramática da depressão é a necessidade de fugir desse sofrimento, sendo que em muitas vezes, a única alternativa que vem à mente da pessoa é o suicídio”, disse o especialista. Às vezes, como pensamento passageiro e outras como ideia fixa, a pessoa começa a fazer planos de como vai executá-lo e dá sinais da eminência na compra de alguns materiais como veneno, corda ou arma de fogo.

Dr Renato Gama diz que esses são sinais de alerta muito importantes e que devem ser observados pela família.

A depressão pode ser prevenida com o cultivo de hábitos e pensamentos saudáveis, além do convívio positivo no aspecto social e emocional. Na maioria dos casos, é possível tratar a depressão de forma eficaz, melhorando a qualidade de vida do indivíduo e prevenindo os desfechos mais drásticos, como o pior deles: o suicídio, conclui.

Caso você esteja deprimido ou sente que precisa de ajuda, ligue 188 ou acesse o site da CVV.

Fontes: Notícia Urbana, CVV, G1, O dia, Deprexis

               

Reparando nervos usando um bioandaime equipado com antena de “rádio”

Sinais elétricos gerados fora do corpo por estimulação transcraniana ajudaram a reparar nervos ciáticos divididos em taxas, afirmam pesquisadores.

A capacidade do corpo de reparar nervos danificados é um mistério. Para os neurologistas, parece claro que os danos ao sistema nervoso central – o cérebro e a medula espinhal – não podem ser reparados. No entanto, o dano aos nervos no resto do corpo – o sistema nervoso periférico – é um assunto diferente.

Muitas evidências sugerem que o corpo pode reparar certos tipos de danos nos nervos periféricos. Mas apenas em certas circunstâncias e, muitas vezes, de formas limitadas. Portanto, novas maneiras de reconectar os nervos cortados e desencadear reparos e regeneração são de considerável interesse.

É por isso que o trabalho de Ashour Sliow na Western Sydney University na Austrália e alguns colegas é importante. Eles desenvolveram uma nova maneira de reconectar um nervo decepado com um andaime biodegradável e depois estimulá-lo eletricamente usando um campo magnético fora do corpo.

Eles dizem que sua técnica é minimamente invasiva, ao contrário de outras abordagens de regeneração de nervos e pode reparar nervos cortados em ratos. Nos últimos anos, os neurologistas descobriram que uma breve estimulação elétrica pode melhorar significativamente a maneira como os nervos se recuperam e reaparecem. Mas, há desafios para aperfeiçoar esse tipo de tratamento. Uma é que os nervos cortados são costurados novamente e as suturas são uma fonte significativa de cicatrização e inflamação. Depois, há o problema de aplicar a estimulação elétrica. Isso geralmente é feito usando uma faixa condutora ao redor da parte reconectada do nervo que está conectada a um fio que se estende para fora do corpo.

Isso geralmente causa problemas. Qualquer conexão invasiva é propensa a infecção e qualquer pequeno puxão no fio pode desalojar a banda. Na prática, a banda de condução migra frequentemente, o que reduz significativamente a sua eficácia terapêutica.

“Reparar e eletricamente estimular os nervos periféricos com um dispositivo não invasivo é muito desafiador e o conhecimento científico e tecnológico atual ainda não produziu um sistema efetivo para combinar e executar essas duas tarefas em conjunto”, diz Sliow e colaboradores.

Eles então adotaram uma abordagem diferente: desenvolveram uma banda feita de quitosana, um material biodegradável feito de cascas de camarão. A equipe liga isso diretamente ao nervo usando um laser que não danifica o tecido nervoso. A banda de quitosana, em seguida, atua como um andaime para o nervo durante o processo de cicatrização. “Este andaime é ancorado ao tecido por um laser sem suturas, explorando assim suas propriedades foto-adesivas”, diz Sliow.

O andaime de quitosana também desempenha outro papel. Os pesquisadores integraram uma faixa de ouro no bioandaime. Esta faixa tem um diâmetro de cerca de 1 milímetro e atua como uma espécie de antena de rádio que pode captar sinais eletromagnéticos gerados fora do corpo.

A ideia é que esses sinais induzam uma corrente na faixa de ouro e isso estimula o próprio nervo.

Para descobrir como funciona bem a chamada “antena de enxerto”, a equipe usou o dispositivo para estimular e reparar nervos ciáticos em ratos Wistar anestesiados. Eles estimularam os nervos cortados usando estimulação magnética transcraniana durante 1 hora por semana, por três meses, usando um padrão de sinais conhecidos por desencadear nervos.

Eles descobriram que os nervos ciáticos se regeneraram durante esse período e que a antena foi capaz de estimular a ação muscular durante o período. Além disso, a antena do enxerto permaneceu estável durante todo o tempo e não migrou durante o experimento.

Isso é um trabalho interessante com potencial significativo. A capacidade de reparar nervos tem se beneficiado de suportes que suportam o nervo e da estimulação elétrica. Mas ninguém descobriu como fazer essas duas coisas ao mesmo tempo. Até agora.

Claro, há trabalho pela frente. Por exemplo, o dispositivo precisa ser comparado em testes controlados a reparos efetuados por suturas para quantificar o quanto melhor ele é. Depois disso, virão provações em humanos e há muita razão para ser cautelosamente otimista. “A antena do enxerto é estável no corpo após a implantação e pode facilitar a regeneração do axônio sem nenhum efeito adverso significativo”, diz a equipe.

Fonte: MIT Technology Review

               

O futuro do raio X: em cores e 3D

Uma imagem em preto-e-branco de alto contraste dos seus ossos é uma ferramenta eficaz para detectar fraturas ou quebras. Mas depois de mais de 120 anos, a imagem de raios X está recebendo uma atualização notável com imagens 3D coloridas que revelam muito mais do que apenas os ossos dentro de você. Essas imagens vão melhorar o que um médico pode diagnosticar sem te abrir.

 

Mars Bioimaging

 

A abordagem tradicional para verificar o interior de um paciente envolve explodi-los com raios X. Essa radiação eletromagnética tem um comprimento de onda menor que a luz visível, por isso pode passar facilmente pelo tecido mole, mas tem mais dificuldade em passar por materiais mais duros, como ossos. Do outro lado do seu corpo, um sensor, ou filme, produz uma imagem baseada na intensidade dos raios X que o atravessam, revelando o que está dentro de você.

Uma empresa da Nova Zelândia chamada Mars Bioimaging desenvolveu um novo tipo de scanner de imagens médicas que funciona de maneira semelhante, mas empresta a tecnologia desenvolvida para o Large Hadron Collider no CERN para produzir resultados muito mais detalhados. O chip Medipix3 funciona de forma semelhante ao sensor da sua câmera digital, mas detecta e conta as partículas que atingem cada pixel quando um obturador se abre.

Quando usado no novo scanner desenvolvido por Phil e Anthony Butler, das universidades de Canterbury e Otago, na Nova Zelândia, o chip Medipix3, aprimorado com algoritmos personalizados de processamento de dados, pode detectar a mudança nos comprimentos de onda à medida que os raios X atravessam diferentes materiais no corpo. Isso permite que o scanner diferencie ossos, músculos, gordura, líquidos e todos os outros materiais do corpo humano, enquanto softwares adicionais usam esses dados para produzir imagens coloridas impressionantes que permitem uma visão tridimensional do interior do corpo.

Assim, enquanto um médico examina as imagens do seu braço, procurando sinais de fratura ou fratura após uma queda terrível, ele também pode procurar outras condições médicas potencialmente perigosas que podem não ser aparentes nos resultados típicos de raios X. De fato, versões menores de testes deste scanner já estão sendo usadas para estudar o câncer, bem como a saúde óssea e articular em pacientes – mas a tecnologia será útil em inúmeros outros campos da medicina, da odontologia à cirurgia cerebral.

Levará anos até que o novo scanner Spectral CT receba todas as liberações e aprovações necessárias para que possa ser usado em hospitais e clínicas. Mas está bem além dos estágios de pesquisa neste momento, e espera-se que os testes clínicos sejam realizados na Nova Zelândia nos próximos meses.

Fonte: Andrew Liszewski para Gizmodo

               

Como a realidade virtual pode ser relevante na saúde mental?

Ainda estamos muito longe de sermos capazes de fornecer o melhor tratamento a todos que precisam, mas podemos estar à beira da mudança graças à realidade virtual.

Poucos tópicos são mais quentes no momento do que a realidade virtual (VR). Apesar de existir há décadas, a VR finalmente entrou no mundo dos produtos eletrônicos de consumo por meio de dispositivos como o Oculus Rift e o HTC Vive e, cada vez mais, fones de ouvido que podem ser usados ​​em conjunto com nossos telefones celulares. Mas a VR não é apenas um fator de mudança tecnológica: ela pode transformar a forma como lidamos com problemas de saúde mental.

Não muito tempo atrás, falar sobre problemas psicológicos era um tabu. Agora, a escala desses distúrbios não é mais um segredo. Sabemos, por exemplo, que uma em cada quatro pessoas experimentará problemas de saúde mental em algum momento de sua vida. As ramificações deste oceano de angústia não são meramente pessoais e as conseqüências socioeconômicas são profundas.

Por isso, a forma de tratamento é crucial. Aconselhamento pode ser eficaz até certo ponto, mas as mudanças mais poderosas acontecem quando os indivíduos são apresentados às situações que lhes causam sofrimento e aprendem diretamente a pensar, sentir e comportar-se de maneira mais construtiva. Isso significa sair da sala de consulta e entrar no mundo real, com o terapeuta agindo muito mais como um personal trainer ou coach de liderança. Infelizmente, isso raramente ocorre: mesmo quando os terapeutas reconhecem a conveniência da abordagem, o tempo é escasso.

O quadro, portanto, não é bom – o grande problema da saúde pública é uma incapacidade de fornecer as melhores terapias para a maioria das pessoas afetadas. E, no entanto, podemos estar à beira de um avanço surpreendente, graças a uma tecnologia que está conosco há meio século.

A realidade virtual pode criar poderosas simulações dos cenários em que ocorrem as dificuldades psicológicas. De repente, não há necessidade de um terapeuta acompanhar um cliente em um shopping center lotado, por exemplo, ou até um prédio alto. Situações que são mais ou menos impossíveis de construir no curso de uma terapia – voar, por exemplo, ou ainda eventos chocantes que muitas vezes estão por trás do TEPT – podem ser evocadas com o clique de um mouse. O coaching in-situ que é tão efetivo para tantos distúrbios pode agora ser entregue na sala de consulta, com as simulações classificadas com dificuldade e repetidas quantas vezes forem necessárias.

A VR oferece outra grande vantagem. Compreensivelmente, o pensamento de enfrentar uma situação difícil – mesmo como parte de um curso de terapia – pode ser desanimador para muitas pessoas. Mas pelo fato de ser uma tecnologia e não real, essa reticência tende a desaparecer. Podemos fazer coisas em VR que seríamos relutantes em tentar na vida normal. No entanto, embora o ambiente gerado por computador seja artificial, nossa mente e nosso corpo se comportam como se fosse natural. E isso significa que as lições que aprendemos na VR são transferidas para o mundo real.

Apesar disso, não apenas o componente psicológico das terapias virtuais precisa ser apropriado, mas a experiência da realidade virtual precisa ser pensada do zero. A chamada VR está a quilômetros de distância da tecnologia imersiva e revolucionária que pode ser, mas quando ela é feita corretamente, é uma aventura de tirar o fôlego para os usuários! As terapias virtuais precisam ser tão excitantes quanto os melhores jogos de computador, se quiserem nos fazer voltar para mais.

E, claro, tais tratamentos baseados em VR devem ser testados em testes clínicos rigorosos. Muito trabalho ainda é necessário. Mas, os benefícios podem ser extraordinários. Muitos dizem que a VR é uma tecnologia em busca de um propósito: Em saúde mental, pode ter encontrado um.

Fonte: Daniel and Jason Freeman para The Guardian UK